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Funed e UFMG desenvolvem teste rápido de diagnóstico de Dengue

Data: 11/03/2015

O diagnóstico precoce é um fator primordial para o sucesso do tratamento de qualquer doença. Exames mais simples, mais baratos e com apresentação de resultado mais rápida ganham ainda mais importância no caso de epidemias com a da dengue no Brasil. Pesquisadoras da Fundação Ezequiel Dias (Funed) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão desenvolvendo um kit de diagnóstico da dengue que detecta em 20 minutos a contaminação pelo vírus. O estudo que já dura quatro anos é coordenado pelas pesquisadoras Alzira Batista Cecílio e Erna Kroon e deve resultar em um exame rápido e seguro e que vai representar uma importante ferramenta para o tratamento dos pacientes com suspeita da dengue.


Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, somente neste ano foram confirmados quase três mil casos de dengue em Minas Gerais. A maior parte foi registrada em janeiro (1.820). Em fevereiro, foram 1.402 casos. Apesar dos números bem menores do que o do mesmo período do ano passado (em janeiro de 2014, a secretaria contabilizou 4.009 pessoas com dengue e em fevereiro, 7.607), a situação está longe de ser confortável. No ano passado, 49 pessoas morreram em decorrência da doença. Oito mortes apenas em Passos, no Sul de Minas. Em 2015 foi confirmada a primeira morte por dengue em Minas Gerais, na cidade de Iguatama, na região Centro-Oeste.


"Os testes usados atualmente são importados e a demora do resultado tem pouca utilidade sobre a decisão do tratamento. Eles hoje servem, muito mais, para notificação e, como estatística, ajudar no traçado de políticas de saúde do que efetivamente sobre o tratamento imediato de quem está doente", explica Alzira.


A técnica utilizada no teste é a imunocromatografia. O método consiste em uma pequena fita, que em contato com a amostra do paciente, se contaminado, reage à presença do vírus e muda de cor. O teste funciona da mesma forma que o teste de gravidez. Uma molécula determinada revela a presença do vírus. O desenvolvimento do teste já está adiantado e a expectativa é que até o meio do ano a molécula já esteja identificada e até dezembro o protótipo do teste seja entregue.


"É um teste simples, que não necessita de equipamento. Ele não é itinerante porque precisa da coleta de sangue e extração do soro desse sangue. Assim ele continua sendo de laboratório e só poderá ser aplicado por profissionais da saúde treinados", afirma a pesquisadora.


A propriedade do teste será da Funed e da UFMG, que decidirão em conjunto pela fabricação do teste em escala ou pela transferência de tecnologia. Outra opção é o estabelecimento de uma parceria com uma empresa privada que se interesse pelo produto.


Além dos ganhos com a produção do teste que pode substituir os importados e também gerar divisas para o País através da venda para outros países, o kit já começa a render dividendos ao longo da pesquisa. A montagem da plataforma de estudos na Funed para a pesquisa e o envolvimento de pesquisadores e estudantes das duas instituições é vista como um ganho perene.


"Montamos uma estrutura que poderá ser utilizada para desenvolvimento de tecnologia para o combate a outras doenças. A participação das equipes da UFMG e da Funed, com pesquisadores efetivos, estudantes e estagiários é uma forma importante de capacitação, difusão e geração de conhecimentos. Isso é muito importante para um país como o nosso, em que é muito difícil desenvolver pesquisa. Esse é um ganho que acumulamos não só para cada um de nós, mas para o Estado e para o País", avalia.


Inovação

 

O kit é um dos 17 projetos da Funed apoiados pelo Programa de Incentivo à Inovação (PII), realizado pelo Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (Sectes).


Segundo a analista da Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae Minas, Andrea Furtado, o programa tem como objetivo transformar pesquisas acadêmicas em negócios. "O primeiro passo é o diagnóstico técnico-econômico. Muitas vezes os pesquisadores estão tão envolvidos como trabalho que não tem tempo de pensar em empreender. Também falta formação para isso e esse é o nosso papel. O PII aceita pesquisas aplicadas que já estejam em um determinado nível de desenvolvimento", informa Andrea Furtado.


Os recursos são repassados na forma de insumos e divididos pelas instituições participantes, no caso Sebrae Minas, Sectes e Funed/UFMG. O programa já está na 16ª edição. "Qualquer instituição que tenha pesquisa pode solicitar informações sobre o programa. É feita uma avaliação dos projetos e o diagnóstico de viabilidade. No caso da Funed escolhemos 17 projetos para o estudo de viabilidade e dez deles receberam recursos. Recebemos, por exemplo uma solicitação de uma instituição de Montes Claros (Norte de Minas), mas eles não tinha massa crítica para participar. A solução foi criar um pool de instituições e assim conseguimos levar o PII para o Norte de Minas. O importante é que as instituições e pesquisadores busquem informações, nos procurem. Mesmo que não exista oportunidade dentro do PII poderemos indicar outros caminhos", destaca a gestora.

 


(Fonte: Diário do Comércio – 10/03/2015)



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