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Merck aposta em biológicos e nos países emergentes

Data: 27/11/2014

Um dos maiores fabricantes de medicamentos do mundo, o grupo alemão Merck colocou um olho nos mercados emergentes e outro em produtos biológicos e de alta complexidade para traçar a estratégia que deve garantir a continuidade do crescimento dos negócios em um ambiente de concorrência cada vez mais acirrada.


Três áreas prioritárias - oncologia, imuno-oncologia e imunologia e doenças auto-imunes -, devem receber atenção especial no que se refere ao desenvolvimento de produtos inovadores pelo grupo, que investe € 1 bilhão por ano em pesquisas clínicas com medicamentos biológicos.


O terceiro pilar do planejamento da multinacional, que faturou € 10,7 bilhões mundialmente e 250 milhões de euros no Brasil em 2013, inclui a gestão do ciclo de vida das principais marcas, com vistas a aproveitar ao máximo as oportunidades de mercado e buscar o balanço ideal entre global e regional.


"Nos últimos anos, temos executado um esforço contínuo para globalizar a operação, que antes estava muito concentrada na Europa", disse a médica espanhola Belén Garijo, presidente executiva da divisão biofarmacêutica do grupo, a Merck Serono.


Esses esforços já resultaram em maior pulverização geográfica. Hoje, mais de 40% das receitas são geradas em países emergentes e veio da América Latina a maior contribuição para o crescimento das vendas nos últimos dois anos, embora China, Índia e Oriente Médio estejam mostrando índices de expansão significativos.


O Brasil, conforme diz a executiva, já cumpre o papel de plataforma produtiva para a região e, logo mais, assumirá posição relevante para o desenvolvimento de produtos biossimilares para esse mercado.


O ajuste do foco geográfico foi acompanhado, mais recentemente, por mudanças na estrutura de comando do grupo. Em 1º de janeiro, Belén, de 54 anos, assumirá novas atribuições, em um importante marco para a Merck, que se apresenta como a mais antiga indústria química e farmacêutica em operação. Além de tornar-se a primeira mulher a ocupar uma cadeira no conselho executivo global da Merck, Belén será a primeira executiva de nacionalidade não alemã a integrar o grupo de elite da multinacional.


No conselho, a executiva responderá por toda o negócio farmacêutico, que inclui, além da Merck Serono, as operações de saúde do consumidor, alergia e biossimilares. Ao mesmo tempo, Stefan Oschman, que lidera a unidade farmacêutica do grupo alemão, foi nomeado vice-presidente executivo e vice-presidente do conselho executivo da Merck. Com sede em Darmstadt, a companhia tem cerca de 30% de seu capital mercado e a fatia majoritária, de 70%, segue nas mãos da família que dá nome ao grupo.


Em sua terceira visita ao Brasil, Belén ressaltou a importância da medicina biológica para o futuro da indústria, e da saúde humana, e falou ainda sobre a recém-firmada parceria com a americana Pfizer, que marca a entrada da Merck no mercado de oncologia dos Estados Unidos e representa um dos maiores acordos já firmados pela indústria farmacêutica em torno de uma droga que completou a fase um de testes.


Pelo acordo, a Pfizer pagará até US$ 2,85 bilhões à companhia alemã para desenvolver em conjunto um anticorpo que poderá ser usado no tratamento de diferentes tipos de câncer. Inicialmente, as pesquisas estarão concentradas no anticorpo anti-PL-D1, que em uma primeira fase de testes tratou mais de 550 pacientes.


Já a parceria com a brasileira Bionovis (formada por Aché, EMS, Hypermarcas e União Química), que prevê o desenvolvimento, a fabricação e comercialização de medicamentos biológicos usados para tratamento de câncer, artrite reumatóide e esclerose múltipla, possibilitará à Merck ampliar presença no sexto maior mercado farmacêutico do mundo. "Queremos desenvolver soluções realistas. E transferir tecnologia para aumentar nossa participação no Brasil", afirmou Belén.


O acordo foi firmado em abril deste ano, no âmbito das chamadas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), programa do Governo Federal que envolve laboratórios públicos e privados, inclusive de capital estrangeiro, e prevê a produção de sete drogas biossimilares, cujo faturamento global alcança US$ 38,1 bilhões, segundo dados do IMS Health.


Dois dos medicamentos envolvidos na parceria pertencem à Merck, o Erbitux, campeão de vendas usado no tratamento de câncer e que ainda não é vendido no Brasil, e o Interferon beta 1ª, para tratamento de esclerose múltipla, já disponível no País.


As outras cinco drogas foram desenvolvidas por outras farmacêuticas, Pfizer, Roche e Abbot, e terão biossimilares desenvolvidos pela Merck diante da perda de patente. "As oportunidades no campo da medicina biológica representam hoje fantásticas oportunidades para a Merck", enfatizou Belén, acrescentando que, atualmente, essa categoria de produtos representa 56% do faturamento da companhia.


A fábrica de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, é potencial candidata a novos projetos de expansão, à medida que os negócios da Merck cresçam na América Latina. "Temos a intenção de continuar investindo no Brasil e consolidar a parceria com a Bionovis", disse a executiva.


Assim como nos demais mercados emergentes, o avanço das vendas da Merck tem se dado por meio da medicina geral e cardiometabólica. Com a ampliação do portfólio no País, porém, o motor de expansão deve ser outro. "A expectativa é a de que o crescimento se dará por meio dos medicamentos biológicos", ponderou Belén.



(Fonte: Valor Econômico – 27/11/2014)



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