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8º ENIFarMed: Falta de pessoal especializado é desafio para fabricantes de biológicos

Data: 16/09/2014

A fabricação de medicamentos biológicos está exigindo perfis profissionais até então inexistentes, ou pouco frequentes, no mercado de trabalho. A nova indústria, que opera com processos complexos de produção, treina equipes internas, contrata no Brasil e no exterior, e monta estratégias para recrutar quadros nas universidades. De forma geral, em uma primeira fase, elas vão produzir biossimilares, de marcas consagradas, cujas patentes estão próximas de expirar. Esse cenário foi apresentado no último dia 09/09, em São Paulo, durante o debate “Capacitação de Recursos Humanos para Biotecnologia”, que aconteceu no 8º Encontro Nacional de Inovação em Fármacos e Medicamentos, ENIFarMed, em São Paulo. Representantes de quatro empresas, Orygen, Bionovis, Libbs e Biocad Brasil, falaram de seus planos para formar pessoal no mercado nascente.  


Priscila Scheinberg, gerente de assuntos regulatórios da Orygen, assinalou a tendência de crescimento dos medicamentos biológicos. Em 2010 eles representavam 18,4% do mercado global e a previsão para 2016 é que chegarão a 21% do total. Na rede pública de saúde brasileira, os biológicos equivalem a 5% da oferta, mas consomem 43% dos gastos. Há desafios na produção, desenvolvimento e inovação, explica. Um deles está em recursos humanos que são escassos para ocupar os cerca de 600 postos ofertados pelas quatro companhias participantes do evento. 


Na Orygen, diz ela, está em foco não somente a falta de mão de obra, mas também a estrutura para treinamento de operários e a necessidade de adaptar cursos de graduação e pós-graduação em biotecnologia. Outro caminho é procurar profissionais brasileiros que estão no exterior e desejam voltar ao País – ela própria uma biomédica que passou quinze anos nos EUA. “Acreditamos nos jovens talentos do Brasil”, diz, referindo-se à iniciativa de recrutar pessoal de nível superior. Nos Estados Unidos existem técnicos trabalhando nessas indústrias, mas aqui será necessário contratar profissionais graduados e pós-graduados para exercer tais funções. A Orygen, joint venture entre os laboratórios Biolab e Eurofarm, tem como parceira a multinacional Pfizer. 


O “repatriamento” de pesquisadores brasileiros no exterior também é uma opção da Bionovis, apontou Thiago Mares Guia, gerente médico e científico da empresa. Com previsão de lançar seu primeiro produto em 2015, a Bionovis tem urgência de se preparar para a fabricação. O primeiro passo é a transferência de tecnologia do parceiro internacional, a Merck, alemã, para a produção de biossimilares. Neste ciclo, o parceiro será responsável pelo treinamento dos funcionários. 


Mares Guia nota que cada uma das várias etapas da cadeia produtiva exige qualificações específicas, às vezes de âmbito multidisciplinar. Esse conhecimento existe nas universidades, mas não na forma que será utilizado pela indústria, observa. A Bionovis abriu um processo de contratação de profissionais do exterior, começando pelo diretor responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento, norte-americano, com experiência no mercado internacional de biofármacos. Ao mesmo tempo, trabalha em conjunto com os outros integrantes do segmento para levar essas necessidades às universidades brasileiras. 


A Libbs apoia-se em sua trajetória industrial para ingressar no segmento. A empresa introduziu, em 2006, mudanças em sua fábrica para produção de hormônios com o aval de uma agência certificadora alemã, o que lhe permite exportar para a Europa. A atividade exige processos de fermentação, etapa intermediária para a biotecnologia. “Já tínhamos essa base instalada de fermentação”, nota Marcia Martini Bueno, diretora de relações institucionais da Libbs, falando sobre a parceria internacional com a Mabxience, que pertence à farmacêutica alemã Chemo. É na indústria europeia que estão sendo treinadas as equipes da Libbs. Participam também dessa formação os profissionais que integram o projeto, do Instituto Butantan e da Bahia Farma. É a forma encontrada para que o processo caminhasse mesmo com a defasagem de recursos humanos, observa. 


“Já fechamos acordos com algumas universidades”, informa o presidente da Biocad Brasil, David Zylbergeld Neto. A empresa russa que se instalou no Brasil há três anos também fechou acordos de cooperação com o Tecpar, Instituto de Tecnologia do Paraná. Para determinadas posições, diz Zylbergeld, “o menor nível que vamos aceitar é o de PhD”, dada a necessidade da alta especialização. “Vamos trazer profissionais para o Brasil, para capacitar e dar aulas, e levar funcionários para a Rússia.” 


A Biocad atua no mercado de biofármacos com um modelo verticalizado, que vai da molécula ao produto final, afirma. No Brasil, a empresa tem o compromisso de construir duas fábricas, uma de insumos farmacêuticos ativos, e outra de produtos finais. O interesse da multinacional russa no mercado brasileiro, assim como o de outros fabricantes, está na dimensão atual dessa demanda e, principalmente,  no futuro. O País tem hoje um gasto anual de US$ 13 bilhões com a aquisição de produtos biológicos, onde se incluem medicamentos, dispositivos, kits de diagnóstico e outros. A quase totalidade desse dispêndio é de importados. Zylbergeld destaca, além disso, um dado impactante: dentro de dois anos, dos dez produtos mais vendidos no mundo, sete serão de biotecnologia, registra.



(Fonte: Carlos Martins - Interface CTI – 16/09/2014)



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