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Para economistas, contágio no Brasil com renegociação de prazo da dívida da Argentina será mínimo

Data: 29/08/2019

A economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional e diretora do Programa de Estudos Latino-Americanos da Johns Hopkins University, afirma que o problema financeiro que a Argentina só teria no ano que vem, quando começam a vencer as parcelas do acordo bilionário com o FMI, foi antecipado para este ano.

 

- A missão do FMI passou toda a semana na Argentina e não fez qualquer declaração em relação à revisão do programa e liberação de novos desembolsos. Isso leva a pensar que talvez as conversas não tenham sido boas com a missão.

 

A Argentina anunciou nesta quarta-feira que pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a extensão do prazo de vencimento do empréstimo stand-by de US$ 56 bilhões, acertado no ano passado, e que começaria em 2021.

 

Segundo a economista, que já foi do FMI, extensão de prazo não “é necessariamente uma moratória”, mas afirma que houve medidas que podem indicar parada de pagamentos, o que configuraria moratória:

 

- Se houver apenas pagamento parcial dos títulos locais, como tem sido falado, é moratória - disse, acrescentando que nunca é fácil renegociar dívida com o Fundo.

 

O professor Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também pondera que o Fundo dificilmente aceita mudanças nas condições de empréstimos que são feitos de forma emergencial para aumentar a liquidez financeira.

 

Ele avalia que a intenção do governo argentino de tentar renegociar os empréstimos do FMI mostra a gravidade econômica do país vizinho. Para ele, no entanto, ainda não se trata de uma moratória unilateral.

 

- O FMI é muito duro em relação a renegociações de prazos, pois envolve uma questão de disciplina fiscal. Desde que fez esse empréstimo, a Argentina não avançou na gestão interna e hoje, por uma questão eleitoral, o país não vem fazendo ajustes nas contas públicas e adotando medidas populistas, como controle de preços - afirmou.

 

Segundo ele, essa instabilidade vai gerar ainda mais fuga de capitais na Argentina, aumentando o custo econômico para a população.

 

Langoni acredita que, no Brasil, o efeito negativo poderá ser verificado no comércio exterior, com impacto nas exportações.

 

- Mas essa situação na Argentina não afeta a atração de investimentos no Brasil, pois o investidor está cada vez mais seletivo e sabe diferenciar países como Argentina e Venezuela das nações que estão indo bem como Chile, Peru e o Brasil, que vêm fazendo seu dever de casa. Além disso, o Brasil tem reservas de US$ 400 bilhões, o que dá ao país uma situação confortável, além de juros e inflação em níveis baixos históricos - afirmou.

 

Monica de Bolle também acredita que não haverá contágio para o Brasil.

 

- A possiblidade de contágio financeiro é mínima. O Brasil não é uma economia dolarizada. O grande problema da Argentina é grau de dolarização de 80% da economia informalmente. Ela tem uma necessidade imensa de dólares, precisa de muito financiamento externo por causa disso e não tem reservas para queimar.

 

Monica lembra que a situação de hoje difere da enfrentada pelo Brasil em 2002, quando foi costurado um acordo com o FMI depois que o dólar disparou. O candidato na época, Luiz Inácio Lula da Silva, divulgou carta ao povo brasileiro, o que permitiu a assinatura da ajuda do Fundo:

 

- O problema da Argentina não é por causa da perspectiva do Fernández ser eleito. A Argentina tem vários problemas que parecem insolúveis. A reação dos mercados vem dos fundamentos da economia e a condução do governo Macri (Maurício Macri, atual presidente).

 

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Para a estrategista do Banco Pactual em Buenos Aires, Carolina Gialdi, a prorrogação de prazos de dívidas não é um calote de títulos internacionais ou mesmo de títulos locais que não sejam Letes (letras do Tesouro em dólar) e Lecaps (Letras Capitalizáveis, denominadas em peso).

 

Para os investidores institucionais que detêm esses papéis especificamente, pode ser considerado uma moratória porque representa uma mudança compulsória dos termos de contrato.

 

- Mas, como são instrumentos regidos pela legislação local e não são amparados pelos contratos de emissão de títulos internacionais, não são um gatilho para os seguros contra calotes usados pelos investidores internacionais.

 

 

 

(Fonte: Globo Online - 29/08/19)



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