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Sessão temática debate ambiente para startups no Brasil

Data: 05/12/2017


Trazendo a visão de diversos ângulos, palestra traçou um atual cenário para a inovação pelo empreendedorismo


Um dos objetivos do 11º ENIFarMed é reunir, em um mesmo ambiente, vários atores que podem contribuir para que a inovação do setor de fármacos e medicamentos se fortaleça no país. Na manhã desta terça-feira, a sessão temática “Formação em Recursos Humanos, Startups e Empreendedores em Saúde Humana” contou com uma mesa que trouxe, ao público presente, as visões do empreendedor, do investidor, do legislador e, também, do governo.

 

Moderada por Luis Eduardo Caroli, CEO da Biozeus, a sessão recebeu Sergio Mecena, da UFF (Universidade Federal Fluminense) que apresentou todo o escopo do Edital Startup Bio, programa inédito lançado em 2016 pela FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) para o desenvolvimento e a fabricação, em território nacional, de produtos estratégicos para o SUS (Sistema Único de Saúde).

 

“Essa discussão começou pela importância que a área de biotecnologia tem para as questões da saúde humana”, explicou Mecena ao declarar que o principal objetivo do projeto era desenvolver uma cultura empreendedora capaz de criar empreendimentos de alto valor agregado para dominar produtos estratégicos na área de ciências da vida. “Esperava receber cerca de dez projetos, mas tivemos 48 propostas e, dessas, 26 foram pré-selecionadas. Ao final do projeto, oito empreendimentos vindos da universidade ou de laboratórios oficiais foram escolhidos”, enfatizou.

 

Apresentando a visão do empreendedor, Diogo Biagi trouxe sua experiência com a busca de investimento para criar e desenvolver a PluriCell Biotech, empresa brasileira especialista em biologia celular e molecular que comercializa células para uso em pesquisa básica e pré-clínica. Para ele, a grande impulsionadora foi a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

 

Biagi apontou o ambiente desfavorável, no qual a inovação no Brasil ainda é muito voltada à produção de genéricos, como um dos problemas cruciais ao desenvolvimento das startups do setor, trazendo de volta ao debate do ENIFarMed a necessidade da subvenção econômica como instrumento principal para o fomento à tecnologia de saúde, assunto que foi amplamente debatido no primeiro dia do evento. “A junção da subvenção econômica com o investimento privado seria perfeito para o Brasil”, disse ele que sugeriu como importante a criação de mais programas como o PIPE, da FAPESP, que apoia a execução de pesquisa científica e/ou tecnológica em micro, pequenas e médias empresas no Estado de São Paulo; e o Startup Indústria, da ABDI, que tem o objetivo de promover o ambiente de negócios entre startups e indústrias, atuando com foco em ações de integração digital das diferentes etapas da cadeia de valor dos produtos industriais.

 

Representando os investidores brasileiros, Thomas Gerlach, da FinHealth, gestora focada exclusivamente na área de saúde, afirmou que, do ponto de vista do investidor, a perspectiva é diferente. “É necessário ter um time com know-how, algo que é difícil no ambiente brasileiro onde temos poucas pessoas com experiência em desenvolvimento de empreendedorismo”, alertou complementando que outros fatores como ter várias fontes de verba, assumir e reconhecer os riscos e analisar o ambiente de negócios também são pontos indispensáveis. Questionado sobre o principal desafio, Gerlach foi claro ao afirmar que a integração precisa passar por melhorias. “A academia está de um lado, o mercado, do outro. Entre eles um caminho longo, cheio de riscos e muito caro. É o vale da morte e é um grande desafio atravessá-lo”, lembrou.

 

Reconhecido por toda sua dedicação ao empreendedorismo brasileiro, o Sebrae também foi representado na mesa da sessão temática. Pela fala de Marília de Sant’Anna Faria, da filial do Rio de Janeiro, trouxe ao público presente um pouco mais da atuação da instituição especificamente na área de saúde humana. Depois de contextualizar o conceito de startup como uma organização temporária, repetível e escalável que opera em um cenário de alto risco e incerteza, Marília lembrou que “em biostartups, os empreendedores têm alto grau de escolaridade”.

 

Ambiente legal – “Sem empreendedorismo, não há futuro”, disse o deputado federal Otavio Leite ao trazer, à sessão temática, uma perspectiva da legislação nacional no que diz respeito ao impulsionamento das startups.

 

Leite afirmou estar trabalhando no desenvolvimento do Inova Simples, programa que oferecerá, a quem quer empreender, uma facilidade para se formalizar, criar seu produto e acessar capital. “A ideia é fazer com que ao ter capital, ele possa se desenvolver, passar por um período de validação experimental e, dando certo, acessar o Simples Nacional e posteriormente outros horizontes tributários. Caso não dê certo, ele apenas terá de dar baixa no sistema”, explicou sobre eliminar as agruras da burocracia para abrir e fechar empresas no país.

 

Além de mencionar seu empenho em melhorar os acessos à formalização empresarial no Brasil por meio da criação do Inova Simples, Leite citou um avanço importante e que muitas vezes é desconhecido: a figura do investidor anjo como pessoa jurídica. “O investidor anjo pode ser tanto pessoa física quanto pessoa jurídica. Sendo pessoa jurídica, pode aportar capital diretamente sem virar sócio da empresa, uma forma de fortalecer a ideia do capital de risco para que os empreendimentos possam se dar de maneira veloz”, completou.

 

A sessão temática “Formação em Recursos Humanos, Startups e Empreendedores em Saúde Humana” gerou uma ampla interação entre palestrantes, debatedores e o público presente, que aproveitou a oportunidade para tirar dúvidas e entender melhor os processos para obtenção de recursos e consolidação de novas empresas no cenário de saúde do país.



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