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Sessão temática sobre estudos pré-clínicos e pesquisa clínica aponta crise de reprodutibilidade e necessidade de qualificação profissional

Data: 04/12/2017


Realizado na tarde desta segunda-feira durante 11º ENIFarMed, debate enfatizou importância do fortalecimento do sistema por meio da qualificação profissional


Investimentos em qualificação profissional e crise de reprodutibilidade foram alguns dos temas mais citados durante a sessão temática “Protocolos para Estudos pré-clínicos e Pesquisa clínica – Compatibilidade com guias internacionais” realizada na tarde desta segunda-feira, 4 de dezembro, na 11ª edição do ENIFarMed, no Rio de Janeiro.

 

Presente como um dos debatedores, o professor doutor João Batista Calixto, diretor do CIEnP/UFSC (Centro de Inovação e Ensaios Pré-clínicos da Universidade Federal de Santa Catarina) enfatizou, em sua fala, a importância do setor trabalhar a qualificação profissional e investir na infraestrutura dos laboratórios para o desenvolvimento dos ensaios e estudos.

 

“Aprendemos que não basta ter dinheiro, é preciso ter gestão, cientistas, boas práticas, aspectos regulatórios e processos de avaliação. Falhamos por falta de gestão e por falta de competência técnica. Inovação é um processo diferenciado que requer pessoas dedicadas e capazes, de altíssimo nível. Não é para todo mundo”, comentou logo após citar que é preciso também rever o processo como um todo, pois na área de saúde, que é mais difícil e mais regulada, os projetos de inovação precisam de cinco a dez anos para serem desenvolvidos em etapas.

 

Em concordância com Calixto, Norberto Rech, da UFSC, menciona a importância de um conjunto que envolve, de forma estratégica, verba e capacitação. “Dinheiro não resolve os problemas. Podemos ter todo o dinheiro do mundo, mas se não tivermos pessoas e estrutura qualificadas, o dinheiro em nada vai adiantar. Esse é um dos gaps importantes que o país tem”, disse ele que concluiu alegando que o sistema precisa de um conjunto para que não haja interferência não só no resultado de inovação, mas na decisão estratégica de investir nos estudos.

 

Crente de que vivemos uma nova oportunidade de mudança, Calixto acredita que é preciso parar e aprender com os próprios erros. “O estudo pré-clínico é caro. E torna-se mais caro ainda quando mal feito, pois leva a indústria a gastar rios de dinheiro naquilo que, na verdade, gera um resultado falso. Se quisermos aprender com quem faz inovação, precisamos ter as mentes mais brilhantes em nossos projetos”, declarou.

 

Segundo os participantes, o mundo vive um momento de crise quanto a reprodutibilidade científica, como comentou José Mauro Granjeiro, do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia): “um estudo publicado em 2015 pela Nature News & Comment afirma que 50% dos artigos produzidos pela NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos) não são reprodutíveis. Na área de biotecnologia, esse número salta para 80%”, afirma ao listar que os principais contribuintes para essa falta de reprodutibilidade se relacionam as questões de reagentes, desenho experimental, análise dos dados e o não seguimento de protocolos.

 

Calixto também aponta esta crise. “A ciência passa por essa crise de reprodutibilidade, uma questão de falta de padrão ético e científico para fazer a rastreabilidade. Não basta ter boas práticas de laboratório, é preciso investir em boas práticas científicas”, declarou.

 

Para Charles Schmidt, do ICHC/USP, responsável pela moderação do debate, é interessante notar que a população vê o médico como profissional de extrema confiabilidade, mas que a indústria farmacêutica ainda não transmite essa mesma confiança. “A questão da crise de reprodutibilidade, da rastreabilidade dos desenvolvimentos, deixa isso ainda mais claro”, finalizou.

 

Testes em animais – Em março de 2013 a L’Oreal aboliu os testes em animais para qualquer um de seus produtos ou ingredientes em qualquer parte do mundo. Representando a marca, Rodrigo Vecchi explicou a parceria com a Episkin, que conta com um modelo de epiderme humana reconstruída a partir de queratinócitos, e aproveitou a oportunidade para, em conformidade com o tema da sessão, apresentar uma listagem de guias testes por eles utilizadas. “Para conseguir substituir um animal você tem que, muitas vezes, aplicar uma sequência de testes in vitro que não é fácil, tem que querer muito, mas no final tem poder preditivo bastante alto considerando o conjunto de resultados obtidos nessas estratégias integradas”, declarou.

 

A sessão temática “Protocolos para Estudos pré-clínicos e Pesquisa clínica – Compatibilidade com guias internacionais” foi realizada paralelamente à sessão sobre o futuro dos farmoquímicos. 



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