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Produção de fármacos a partir da biodiversidade é tema de seminário na Fapesp

Data: 11/11/2015

Pesquisadores na área de Química de Produtos Naturais ligados à USP, Unesp, Unicamp e a universidades dos EUA e Reino Unido discutem processos viáveis para uso sustentável de substâncias naturais encontrados em biomas brasileiros.


O avanço das pesquisas em síntese orgânica, com forte inspiração em produtos naturais encontrados em plantas e outros organismos terrestres e marinhos da biodiversidade brasileira, será tema do seminário internacional avanços recentes na síntese de metabólitos naturais bioativos, na Fapesp, nesta quinta-feira (12/11).


O encontro é organizado pela coordenação do Programa Fapesp de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade. Lançado em 1999, o Programa Biota-Fapesp busca conhecer, mapear e analisar a fauna, a flora e os microrganismos da biodiversidade, avaliar as possibilidades de uso sustentável de seu potencial econômico e subsidiar políticas de conservação de áreas florestais remanescentes. Ligado ao Biota-Fapesp, o subprograma BIOprospecTA investiga há 15 anos substâncias bioativas, protótipos de fármacos, cosméticos, suplementos alimentares e agroquímicos de interesse econômico, identificados em biomas brasileiros.


De acordo com os organizadores do seminário, há necessidade de fortalecer a pesquisa sobre a síntese orgânica de produtos naturais bioativos, bem como de derivados e análogos. A construção de modelos moleculares (protótipos) por meio de processos sintéticos planejados é fundamental para viabilizar o processo de escalonamento de um produto natural com potencial de aplicação comercial. Os produtos naturais, em geral, de complexidade estrutural e funcional, são obtidos em concentrações baixas e a síntese orgânica é o caminho mais racional para a produção de bioprodutos.


A síntese orgânica é uma área impactante da química e particularmente importante para a reprodução e escalonamento de substâncias da natureza. No Brasil, não obstante o número de pesquisadores especialistas é fundamental incentivar jovens talentos a realizar pesquisa neste campo. Um dos objetivos do seminário é incentivar projetos em cooperação entre químicos sintéticos, químicos medicinais e farmacologistas, produzindo inovações que poderão levar a modelos de bioprodutos de forma mais integrada, eficiente e interdisciplinar.


Conferências


Luiz Carlos Dias, o primeiro palestrante do encontro, investiga a síntese de fármacos potencialmente candidatos ao tratamento de doenças negligenciadas como Chagas e malária e vai falar sobre recentes avanços na área. Dias é pesquisador no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp) e no Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar) – um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela FAPESP por até 11 anos.


Com PhD na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, o químico Carlos Roque Correia mudou-se em 1993 para o IQ-Unicamp com seu grupo de pesquisa para se concentrar em estudos sobre o desenvolvimento de metodologias sintéticas verdes e concisas de compostos naturais, entre outros temas. No seminário, Correia vai tratar de novas estratégias para construção de compostos farmacologicamente ativos.


Sob a orientação de Correia, Antonio Carlos Burtoloso, ligado ao Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IQ-USP), obteve seu doutorado com investigação sobre metodologias de síntese orgânica. Um dos temas de seu interesse é a síntese de produtos naturais com atividade potente contra doenças tropicais.


Entre os participantes estrangeiros estão James Morken, pesquisador no Boston College, nos Estados Unidos; Nicholas Turner, do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Manchester, Reino Unido; e Daniel Romo, pesquisador e membro da direção do Laboratório de Síntese e Descoberta de Drogas da Universidade de Baylor, nos Estados Unidos.


Os temas abordados por eles estão relacionados ao emprego e ao desenvolvimento de biocatalisadores (ou “aceleradores”) de processos de síntese de produtos naturais bioativos e à exploração da biologia celular desses produtos.


Veja programação completa em: www.fapesp.br/9743.



(Fonte: Maxpress Net – 09/11/2015)



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