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Testes da indústria farmacêutica ganham agilidade

Data: 20/10/2015

A análise complexa de dados, a partir da contratação sob demanda de capacidade de processamento, está mudando a realidade da indústria farmacêutica e da medicina. Agora testes e cálculos complexos para a simulação do comportamento e da toxicidade de novas moléculas podem ser realizados com orçamentos muito menores em tecnologia da informação, ampliando a capacidade de inovação e acelerando o lançamento de novas drogas.


Martha Penna, vice-presidente de inovação da Eurofarma, explica que existem milhões de moléculas descobertas e outras tantas ainda desconhecidas. Para avaliar essas moléculas e identificar um medicamento que efetivamente traga benefício ao ser humano serão necessários um grande volume de recursos financeiros e muito tempo em testes, análises, pesquisas e estudos.


Martha explica que a computação é fundamental na pesquisa farmacêutica durante os testes pré-clínicos: a primeira etapa de P&D do setor, formada por testes in sílicos (computacionais), in vitro (laboratoriais) e in vivo (com animais). Quanto mais se avança na segunda etapa - que são os testes clínicos com seres humanos -, mais crescem os custos. Por isso, na fase pré-clínica, é preciso reduzir, ao máximo, os custos e os riscos dos testes clínicos.


"A química computacional permite que, nos primeiros estágios de análise, antes de se iniciarem os testes laboratoriais, possam ser feitos testes computadorizados com valor preditivo do alvo, previsão de biodisponibilidade da molécula - ou como ela se distribui e se comporta no corpo humano - e sua toxicidade, diminuindo os riscos de insucesso", explica Martha.


Fernando Chaddad, diretor-executivo da Accenture Digital, diz que a bioinformática permite reduzir o prazo e o custo de desenvolvimento. Ele estima que o custo para se levar uma droga da fase 1 para a fase 3 seja de US$ 1 bilhão. Uma forma de baratear o processo é realizar o máximo de testes na fase 1. "Hoje é possível criar uma plataforma de colaboração entre várias empresas, que podem trocar informações em um modelo de inovação aberta. E esse processo pode ser feito na nuvem", diz Chaddad.


Empresas, agora, têm utilizado algoritmos para calcular, rapidamente, as propriedades numéricas de moléculas. Como resultado, elas têm sido capazes de produzir dados numa escala nunca vista antes. Essas estratégias têm permitido que empresas consigam determinar in sílico a toxidade, a permeabilidade pelo intestino humano e se serão absorvidas ou se ficarão na circulação sanguínea tempo suficiente para desencadear o efeito farmacológico desejado.


"O acesso à computação na nuvem tem permitido que startups e pequenas empresas se beneficiem do uso de predições in sílicos, cujo custo se limita somente ao tempo de computação utilizado", observa Martha. A computação na nuvem também será crucial para mover a biologia de uma ciência descritiva para uma ciência preditiva.


"Estamos repatriando dos EUA um profissional de química computacional que vai atuar na seleção in sílica e adquirimos uma participação na Melinta, que desenvolveu novos antibióticos com base em RNA - ácido ribonucleico, responsável pela síntese de proteínas da célula", acrescenta Martha.


Bernardo Peixoto, gerente de novos negócios e inovação da Eco Sistemas, conta que muitas empresas de bioinformática surgiram nos últimos anos, com planos de desenvolvimento de arquitetura computacional e serviço web de armazenamento, análise e distribuição desse tipo de informação em contexto clínico.


"Essas empresas introduziram um novo paradigma da medicina baseado nos quatro Ps: preditiva, preventiva, personalizada e participativa, que permitem reduzir o custo e promover uma vida saudável, enquanto a medicina atual é focada, basicamente, em diagnóstico e terapêutica. São empresas inovadoras financiadas com capital de risco, como por exemplo a DNAnexus, financiada pelo Google Ventures ", afirma Peixoto.


À medida que aumenta o conhecimento sobre a genômica, cresce também o número de empresas interessadas em vender produtos e serviços diretamente para o indivíduo. Assim, surgiram nos EUA, nos últimos cinco anos, as "direct to consumer genetic testing services", que se baseiam na venda direta de informação genética fora do local de atuação do médico. Uma das empresas mais conhecidas é o 23andMe, fundada com capital de risco do Google. A empresa comprou a CureTogether, rede social de pacientes de maior sucesso dos EUA.


"A proposta de negócio é que a informação consolidada e estruturada nesse tipo de plataforma vai permitir um conhecimento de causa-efeito de doenças complexas, com um valor agregado enorme. É a participação do indivíduo no processo de descoberta", diz Peixoto.


 

(Fonte: Valor Econômico – 14/10/2015)



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