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Pioneirismo no Instituto Vital Brazil

Data: 20/10/2015

O Instituto Vital Brazil está desenvolvendo um projeto para produção de medicamentos biotecnológicos para o tratamento de câncer. Nesta quarta-feira (14/10), ele será apresentado ao Ministério da Saúde, a fim de receber o aval do órgão. Hoje esses insumos são importados pelo SUS. A expectativa é que a autossuficiência chegue até 2026. Pesquisadores do Instituto Vital Brazil (IVB) estão desenvolvendo um projeto para produção de medicamentos biotecnológicos para o tratamento de câncer e atrite reumatoide. Feitos com células vivas, geneticamente modificadas, hoje esses remédios são importados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com outros laboratórios, o IVB participa de uma mobilização nacional do Ministério da Saúde para, nos próximos dez anos, tornar o País autossuficiente na fabricação desse tipo de insumo. Na próxima quartafeira, o instituto apresentará o projeto final para a aprovação do órgão federal, o que permitirá a captação de recursos. 


Entre as diferentes categorias de medicamentos, os biotecnológicos são os que apresentam maior complexidade na produção. Os mais comuns são os sintéticos, com base química, como aspirinas e analgésicos. Os biológicos, soros e vacinas são produzidos por meio de extração do veneno animal, ramo em que Instituto Vital Brazil é referência nacional. Na biotecnologia, os medicamentos são desenvolvidos a partir de alterações genéticas em células, animais e vegetais. O IVB pretende produzi-los em parceria com universidades e laboratórios internacionais, que atuarão na transferência de know-how. 


— É uma produção de longo prazo que começa com a alteração genética, que pode ser feita em células CHO (de ovário de hamster chinês), em vegetais ou através da proteína extraída de fêmeas lactantes, que podem ser cabras, coelhas, porcas e vacas. Para esse último método, já iniciamos os estudos na nossa fazenda, em Cachoeiras de Macacu, com uma cabra transgênica, criada na universidade do estado do Ceará, cujo leite já contém a proteína de que precisamos. Mas isso é apenas um experimento e uma parte do projeto. O objetivo é estudarmos as outras fases da produção para depois aumentarmos a escala — explica Luís Eduardo da Cunha, vice-presidente do IVB. 


Em agosto, o IVB esteve no Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, Câmara Setorial de Tecnologia para debater os desafios e o desenvolvimento da biotecnologia. Segundo o instituto, o Fórum apoiou os seus projetos e do Grupo Executivo do Complexo Industrial das Ciências da Vida do Estado do Rio de Janeiro (Geciv-RJ), um dos coordenadores da política no estado. O Vital Brazil integra uma espécie de força-tarefa que tem o objetivo de fazer do Rio de Janeiro um polo de biotecnologia, com o fortalecimento da política industrial, a promoção da produção local e o uso do poder de compra do Governo. 


Para amplificar esse potencial, foram criados o Parque Tecnológico da Vida (2010) e o GecivRJ (2011), ambos com a finalidade de elaborar, desenvolver e implantar políticas de fortalecimento do complexo produtivo e de inovação em ciências da vida. Segundo Antônio Werneck, presidente do IVB, a intenção é montar uma rede voltada para a área de biotecnologia para se especializar nas diversas áreas e tornar o estado do Rio referência no setor. 


— Hoje existem 17 laboratórios públicos responsáveis pela produção de remédios, soros e vacinas. Desses 17, seis estão no Rio e um deles é o Instituto Vital Brazil, focado na produção de biomedicamentos, desenvolvidos a partir de células e bactérias. Com esse potencial, queremos criar um modelo de parcerias que constituirão um ambiente inovador no estado do Rio de Janeiro e que trarão o compartilhamento de plataformas industriais e tecnológicas. Como acontece nos clusters empresariais do Vale do Silício, na Califórnia, acreditamos que o Rio tem um grande potencial para desenvolver um ambiente parecido no ramo biotecnológico — avalia Werneck. 


Para o projeto de produção dos novos medicamento biotecnológicos, o IVB selecionou parceiros internacionais com expertise no assunto e com plantas industriais e tecnologia apropriadas para a produção e transferência da tecnologia. As empresas parceiras são a Samsung Bioepis, a Mabion, a Therapeutics Proteins International (TPI) e a Daewoong que, com o IVB, trarão os medicamentos contendo as substâncias adalimumabe, infliximabe, rituximabe, filgrastima e somatropina para o Brasil. Uma comissão técnica do instituto fez visitas às fábricas das parceiras em Coreia, Polônia, Dinamarca, Bélgica e Estados Unidos. A projeção é que o fornecimento de medicamentos por essas empresas vá diminuindo à medida que a produção do IVB cresça. O objetivo é alcançar a meta de plena produção até 2026. 



(Fonte: O Globo – 12/10/2015)



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