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UFRJ investe na formação de profissionais para atuar na indústria de biofármacos

Data: 18/09/2015

Produzidos apenas por um pequeno número de países, sendo os EUA o maior produtor, os biofármacos, também conhecidos como medicamentos biológicos, são um dos principais responsáveis pelo déficit na balança comercial da área de saúde no Brasil. O SUS distribui gratuitamente 60% desses medicamentos comprados pelo Brasil. Em 2012, essa compra do Governo Federal somou R$ 4 bilhões. Para diminuir esse déficit, o Governo vem estimulando o desenvolvimento desta indústria no País e estimulando acordos de transferência de tecnologia com países como Cuba e Alemanha. Mas ainda temos uma carência de profissionais capacitados para lidar com esse segmento, que requer um nível avançado de especialização.


Ciente dessa necessidade, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) colocou em prática este ano o Programa de Treinamento em Biotecnologia Farmacêutica, o TBiofar (http://tbiofar.peq.coppe.ufrj.br). Sob a responsabilidade da COPPE/Programa de Engenharia Química e da Escola de Química (EQ), coordenado pelas professoras Leda Castilho (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia – COPPE) e Andréa Salgado (Escola de Química), o treinamento tem o objetivo de reduzir a carência de mão de obra especializada na área de biofármacos e contribuir para o desenvolvimento dessa indústria no Brasil.


Leda Castilho diz que a indústria biofarmacêutica está se desenvolvendo muito rapidamente no mundo, mas o Brasil tem um atraso de 30 anos em relação aos países mais desenvolvidos. De acordo com ela, cerca de 50% dos gastos com medicamentos do Governo Federal hoje se referem à compra dos biológicos. No mundo, o setor alcançou um volume de vendas de aproximadamente US$ 160 bilhões, representando cerca de 20% das vendas totais da indústria farmacêutica em 2014.


“Há um estímulo grande, por ações do Ministério da Saúde e financiamentos do BNDES e da Finep, para criar empresas nacionais, como Bionovis e Orygen, e estimular o investimento para a construção de fábricas no País. Nós temos condições de desenvolver tecnologia de ponta em biofármacos, mas faltam pesquisadores nessa área, sobretudo em tecnologia aplicada. Além disso, precisamos de mais integração entre os profissionais da área biomédica básica e os da área farmacêutica”, afirma Castilho.


Nesse cenário, surgiu o TBiofar, que resulta de uma parceria entre a Universidade, empresas produtoras públicas e privadas, empresas fornecedoras e agências governamentais. A professora do Coppe explica que, com o investimento na formação de mão de obra qualificada, é possível reduzir a defasagem industrial nesta área.


“O programa, que vai além da graduação (incluindo pós-graduação e atualização de profissionais que já atuam na indústria farmacêutica e querem se especializar em biofármacos), foi criado com o intuito de permitir a produção no Brasil e a consequente redução de importações relativa aos modernos medicamentos de origem biotecnológica, tão importantes no tratamento de doenças como câncer, artrite reumatoide e outras”, completa.


A expectativa é que os primeiros engenheiros de bioprocessos com ênfase em biotecnologia farmacêutica, formados pelo TBiofar, se formem em março de 2016. “O programa é uma inovação nesta área no Brasil. Em nosso laboratório, do Programa de Engenharia Química da Coppe/UFRJ, criado em 2003, já desenvolvemos diversos trabalhos de pesquisa e pós-graduação sobre tecnologias de produção desses fármacos, e também trabalhos em parceria com a Fiocruz, focados em uma nova vacina contra febre amarela, e com o Instituto de Ciências Biomédicas da própria UFRJ, para processos aplicados a terapias celulares e células tronco. Mas é fundamental estimular a formação de engenheiros especializados para atuar na nascente indústria biofarmacêutica brasileira e contribuir para desenvolver tecnologia de ponta no País”, diz.


O TBiofar foi estruturado para atender diferentes níveis de formação, graduação, pós-graduação e profissionais da indústria. A maioria dos cursos têm, além da teoria, atividades experimentais, oficinas e estudos de caso, para que haja um treinamento mais especializado e diferenciado. O Programa compreende cursos práticos, envolvendo construção de vetores e transfecção de células ou montagem e operação de biorreatores. Mas há ainda cursos em que os participantes elaboram um plano de negócios e fazem a modelagem econômico-financeira e avaliação de retorno de um projeto no setor.


Novas fábricas


De acordo com Leda Castilho, as fábricas de biofármacos que estão sendo construídas no Brasil devem começar a funcionar plenamente nos próximos cinco anos. “Esses projetos contemplam acordos de transferências tecnológicas, que têm como objetivo acelerar o abastecimento interno e a implantação da produção desses medicamentos no País. Contudo, esperamos que, no futuro, o Brasil passe a ser capaz de desenvolver seus próprios produtos e tecnologias”, detalha.


Mas a professora afirma que há ainda muitos deveres de casa para este segmento. Em sua opinião, a grande mensagem do Sixth International School on Production of Biologicals in Animal Cell Cultures (VI Seminário Internacional sobre Produção de Biofármacos em Cultivos de Células Animais), realizado no final de julho deste ano na Coppe, e que reuniu representantes da área acadêmica e de indústria de 12 países, é que o Brasil tem que se esforçar muito para avançar nesse campo.


“No Brasil, as indústrias ainda trabalham focadas na compra de pacotes tecnológicos do exterior. Temos que nos esforçar para não sermos um mero comprador de tecnologia no futuro. Até porque quando a gente compra uma tecnologia, geralmente ela não é de ponta”, alerta.


Acordo de cooperação


O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), a Merck e a Bionovis assinaram, em 9 de setembro, acordo de transferência de tecnologia da Betainterferona 1a subcutânea (nome comercial: Rebif® ), nas apresentações 22mcg  e 44mcg, fruto da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), estabelecida pelo Governo Federal. Dados de  BioManguinhos indicam que o acordo representa uma economia de R$ 27 milhões em sete anos aos cofres federais, além de garantir o fornecimento do fármaco à população por parte do poder público.


Comercializado em mais de 80 países, o Betainterferona 1a é indicado em primeira linha para o tratamento da esclerose múltipla, seguindo os padrões internacionais de tratamento. No Brasil, cerca de 27% dos pacientes usam o medicamento, que passará a fazer parte do portfólio do laboratório público brasileiro, após a conclusão do processo de transferência da tecnologia.


Os interferons são proteínas produzidas pelo corpo humano. O biofármaco modula o sistema de defesa imunológico do organismo ao reduzir a agressão de linfócitos e anticorpos contra a bainha de mielina das fibras nervosas. Dessa forma, reduz as inflamações e lesões do cérebro e medula espinhal, aumentando a qualidade de vida dos pacientes.


O tratamento da esclerose múltipla e o uso do biofármaco são garantidos pelo Sistema Único de Saúde desde 2001, por meio da Portaria 97 da Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, devido a seu alto custo para o paciente.



(Fonte: Jornal da Ciência – 16/09/2015)



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